sexta-feira, 22 de outubro de 2010

“Meio que em off” ou “making of”

As palavras provenientes de outras línguas sempre estiveram presentes no vocabulário dos brasileiros. Durante a colonização, a enorme variedade de povos europeus e africanos que aqui aportaram fez com que o português recebesse inúmeras contribuições que, somadas às contribuições das centenas de línguas indígenas presentes no território brasileiro, delinearam uma língua que alguns ousam chamar de brasileira.

Não obstante a origem caracterizada pela junção de culturas e povos, o português brasileiro recebeu e ainda recebe contribuições de inúmeras outras fontes, sobremaneira, de nações que atualmente exercem certo domínio econômico e cultural sobre os demais países.

Com a popularização da rede mundial de computadores, a proliferação dos estrangeirismos – palavras emprestadas de outras línguas – passou a figurar como fenômeno evidente de enriquecimento do vocabulário das línguas. Palavras como “deletar”, “escanear”, “tuitar” e “logar” soam como legítimas portuguesas na boca da “geração internet”, que já “saiu de fábrica” falando inglês e “fuçando” no computador.

Contudo, gerações anteriores, com mais de 30 anos e “sem tecla sap”, confundem-se com tantos termos em inglês. Veja um exemplo.

Uma amiga, ao tratar de detalhes do casamento com a cabeleireira, recebeu a informação de que poderia fazer “making of” com o fotógrafo. Sem conhecer a expressão cunhada no cinema americano, que significa “documentário de bastidores”, a futura noiva entendeu que ela poderia fazer algo “meio que em off”, expressão adaptada de “off the records” e usada no Brasil para se referir a algo “não oficial” ou, em português popular, “por baixo dos panos”. Resultado: recusou prontamente a oferta da cabeleireira.

Aliás, o correto é “the making of” e não “the making off”, como muito se vê, já que a tradução exata do termo é “a feitura de” ou “a elaboração de”. Até a próxima.

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